Manual OPSS 2026 da ONA: o que muda na acreditação hospitalar

centro cirúrgico

Em dezembro de 2025, a Organização Nacional de Acreditação (ONA) apresentou, em São Paulo, o Manual OPSS 2026, descrito pela própria entidade como a maior atualização já realizada no sistema brasileiro de acreditação em saúde. O lançamento reuniu representantes do Ministério da Saúde, gestores públicos e lideranças do setor. O documento foi construído de forma colaborativa, com a participação de especialistas, avaliadores, instituições acreditadoras credenciadas, sociedades científicas, associações e pacientes.

Se sua instituição já é acreditada ou pretende iniciar essa jornada, vale conhecer as mudanças. A nova versão vai muito além de uma atualização documental. Ela revisa as Normas Orientadoras, as Normas de Avaliação e a própria estrutura da acreditação.

Dois novos modelos de acreditação

médicos em reunião tomando decisão gestão hospitalar

Uma das principais novidades é a criação de dois formatos. O primeiro é a Acreditação em Rede Assistencial, voltada para sistemas e grupos com governança unificada do cuidado ao paciente. O segundo é a Acreditação em Rede Corporativa, direcionada a estruturas com governança administrativa centralizada, como grandes operadoras e grupos hospitalares.

Segundo a ONA, esses novos modelos tornam o processo mais flexível e acompanham a consolidação do setor. Com isso, passam a ser avaliadas tanto unidades isoladas quanto redes integradas que compartilham processos, indicadores e governança.

Além de ampliar os modelos de acreditação, o Manual OPSS 2026 também redefine a forma como as instituições serão avaliadas.

Jornada do paciente vira eixo central da avaliação

Idosa acamada em hospital recebendo visita beira leito

Até então, a acreditação hospitalar brasileira avaliava os processos por áreas, como farmácia, enfermagem e centro cirúrgico. Cada setor possuía critérios próprios de avaliação.

Agora, a lógica muda. O Manual OPSS 2026 coloca a jornada do paciente no centro da análise. A avaliação deixa de considerar apenas a execução técnica de cada área e passa a observar também a experiência de quem percorre todo o fluxo assistencial.

Na prática, isso significa que uma instituição pode apresentar processos tecnicamente corretos e, ainda assim, enfrentar dificuldades na acreditação. Basta que existam falhas de comunicação, descontinuidade do atendimento ou rupturas na experiência do paciente entre a recepção, a assistência e a alta.

Indicadores mensuráveis e integração digital ganham peso

mulher analisando gráficos na tela do computador - automação de tarefas - sistema hospitalar- datasigh

Ao colocar a jornada do paciente no centro da avaliação, o novo manual também aumenta a importância dos indicadores e da integração digital. Afinal, não basta afirmar que os processos funcionam. Será preciso demonstrar isso com evidências.

Por esse motivo, o OPSS 2026 passa a exigir indicadores específicos para cada nível de acreditação. A melhoria contínua precisa ser documentada e sustentada por resultados mensuráveis, e não apenas pela conformidade formal dos processos.

Outro avanço é a valorização dos sistemas digitais. O manual prevê o uso de plataformas capazes de integrar informações, registrar planos de ação e apoiar a gestão da qualidade. Também abre espaço para soluções baseadas em inteligência artificial.

Para clínicas e hospitais de médio porte, essa mudança merece atenção. Instituições que já concentram indicadores assistenciais e operacionais em um único sistema saem na frente. A evidência deixa de ser construída manualmente às vésperas da auditoria e passa a refletir, de forma contínua, a realidade da operação.

É justamente esse tipo de necessidade que plataformas de gestão ajudam a atender. O módulo DS360, do Datasigh Web, reúne indicadores como ocupação, faturamento, custos, glosas, produtividade e NPS em um único painel. Com isso, os gestores acompanham a operação em tempo real e fortalecem a rastreabilidade das informações. Vale lembrar que a certificação depende do cumprimento integral dos requisitos do Manual OPSS 2026, mas contar com dados organizados facilita significativamente esse processo.

A transformação proposta pelo novo manual, porém, não se limita aos indicadores e aos processos assistenciais. Ela também amplia o conceito de qualidade ao incorporar critérios ligados à sustentabilidade e à governança.

ESG entra formalmente no manual

Pela primeira vez, o Manual OPSS 2026 incorpora blocos específicos dedicados aos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança). Entre as novidades está uma subseção voltada ao impacto ambiental das organizações de saúde.

A mudança acompanha uma tendência já observada em todo o setor. Temas como sustentabilidade deixaram de ser apenas parte do discurso institucional e passaram a integrar critérios formais de avaliação, como já vimos na cobertura da Hospitalar 2026.

Como clínicas e hospitais podem se preparar

Diante dessas mudanças, muitos gestores de instituições de médio porte se perguntam se a acreditação ficará mais distante da sua realidade.

A resposta da própria ONA aponta para o caminho oposto. O objetivo é ampliar o acesso à metodologia e torná-la aplicável a organizações de diferentes portes e perfis. A proposta é fortalecer a gestão da qualidade sem restringir a acreditação às grandes redes hospitalares.

Isso não significa que a preparação será mais simples. Significa que ela precisará ser mais estruturada. Para quem pretende iniciar ou renovar a acreditação, três ações merecem atenção imediata:

  • Mapear toda a jornada do paciente, e não apenas os processos isolados de cada setor.
  • Centralizar os indicadores em um único ambiente, garantindo evidências atualizadas durante todo o ano.
  • Documentar as práticas ambientais, sociais e de governança que já fazem parte da rotina da instituição.

Mais do que atualizar critérios, o Manual OPSS 2026 confirma uma transformação que já vinha sendo percebida em outras frentes da saúde, como a digitalização da enfermagem e o uso da inteligência artificial na gestão hospitalar. A acreditação deixa de ser um exercício baseado em documentos e passa a refletir a maturidade da gestão, a capacidade de monitorar indicadores e a evolução contínua dos processos.


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Perguntas frequentes sobre o Manual OPSS 2026

O Manual OPSS 2026 já está em vigor? O manual foi apresentado oficialmente em 9 de dezembro, em São Paulo, após um processo de revisão que incluiu curso de capacitação para avaliadores da ONA ao longo de 2025. Instituições já acreditadas passam por um processo de transição para a nova versão.

Minha clínica de médio porte consegue buscar acreditação ONA? Sim. Segundo a própria ONA, um dos objetivos da nova versão do manual é justamente ampliar o acesso à metodologia para diferentes tipos e portes de organização, e não restringir a acreditação a grandes redes hospitalares.

O que muda na forma de avaliar uma instituição? As três mudanças mais relevantes são: a criação dos modelos de Acreditação em Rede Assistencial e em Rede Corporativa, a centralidade da jornada do paciente como eixo de avaliação, e a exigência de indicadores mensuráveis e integração com sistemas digitais como parte do processo.

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